A Petrobras gera preocupação para governo e investidores.

dilmaEm 2007 e 2008, as descobertas do pré-sal fizeram a Petrobras decolar como uma das principais vitrines do governo brasileiro e se tornar uma das maiores petrolíferas do mundo. Passados seis anos, porém, o cenário da empresa não inspira mais tanto otimismo.

Hoje, o valor de mercado da estatal tem recuado significativamente, e os problemas da empresa viraram uma dor de cabeça para o governo Dilma Rousseff. O jornal britânico Financial Times chamou a companhia de “um potencial não concretizado”.

Analista apontam as causas seguintes como geradoras dos problemas econômicos da Petrobras.

Controle de Preços.

Segundo os analistas,  uma das principais causas dos problemas econômicos da Petrobras é o controle no preço da gasolina e no diesel, exercido pelo governo para evitar um aumento da inflação.

Uma vez que o Brasil consome mais petróleo do que produz, a Petrobras é obrigada a importar o produto, mas o valor que paga pelo produto no mercado internacional não pode ser repassado integralmente para os consumidores, pois isso geraria uma pressão inflacionária. Isso, obviamente, afeta as contas da empresa. Para os investidores a atuação do governo tem sido uma interferência política na gestão da Petrobras.

Em 2013, um reajuste nos preços dos combustíveis deu fôlego aos resultados da estatal gerando lucro de 11% a mais que no ano anterior. Porém, seu endividamento continua alto, mantendo a desconfiança de acionistas.

O Ministério das Minas e Energia diz que a política de reajuste dos preços dos combustíveis é estabelecida pela Petrobras. Por outro lado, autoridades insistem que a prioridade do governo é o combate à inflação.

Endividamento

A dívida líquida da empresa subiu 50% em 2013 – de R$ 147,8 bilhões para R$ 221,6 bilhões. O que fez a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota da Petrobras, no ano passado. A agência calcula que a dívida total da estatal equivale a 3,8 vezes o seu Ebitda (medida que representa o potencial de geração de caixa da empresa).

O relatório da Moody’s diz que a nota de crédito da Petrobras tem perspectiva “negativa”, já que o endividamento “deve chegar a níveis altos em 2014, significativamente mais altos do que das demais empresas do setor, e só deve declinar a partir de 2015”.

Isso é algo que “coloca em xeque a capacidade de investimentos da empresa”, diz Pires à BBC Brasil.

 Perda de valor de mercado

Todos esses fatores têm gerado uma percepção negativa da estatal, levando investidores a venderem a suas ações. Isso faz a empresa perder o seu valor de mercado, representado pelo preço de suas ações vezes o número de ações existentes.

O valor das ações, que chegou a superar os R$ 30 em 2009, agora beira os R$ 13 – um dos níveis mais baixos desde 2005, antes do período áureo do pré-sal.

O valor de mercado da empresa foi o que apresentou a maior perda em valores absolutos entre as empresas brasileiras listadas em Bolsa em 2013 – de US$ 124,7 bilhões no fim de 2012 para US$ 90,6 bilhões no fim de 2013 –, segundo levantamento da consultoria Economática.

Para Adriano Pires, analista do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), mais do que uma dor de cabeça para o governo, a Petrobras “virou uma dor de cabeça para seus acionistas”.

Razões para otimismo

Em entrevistas recentes, Graça Foster, presidente da estatal,  afirmou que a produção de petróleo pela empresa está em uma curva ascendente e não descarta novos aumentos de combustível, que ajudem a recompor o caixa da empresa.

 Por: Adão Lima de Souza

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