Câncer: a doença do século

imagesCâncer é o nome de um conjunto de mais de 100 tipos de doença que tem em comum o crescimento celular rápido e desordenado. O aumento de casos de câncer no  Brasil e mais especificamente no Vale do São Francisco faz pensar que seu surgimento seja algo simples. Na verdade, a formação do câncer é complexa. Para entendermos esse processo, relembremos as aulas de biologia: as células se agrupam formando os tecidos, que por sua vez formam órgãos com funções específicas e definidas. As células se multiplicam continuamente para renovar os tecidos; células antigas morrem e são substituídas por novas. Essa morte fisiológica ( normal) chama-se apoptose.

Cada célula tem um número definido de cromossomos. Cada cromossomo possui inúmeros genes constituídos por DNA (ácido desoxirribonucléico). Na multiplicação celular, os diversos cromossomos e genes nelas existentes se dividem, transmitindo assim às “filhas” as mesmas características das células originais. Se houver algum de tipo de alteração/mutação na divisão celular, essas caracteristicas anormis serão transmitidas às novas células, gerando, entre outras doenças, o câncer.

O câncer possui três fases:

1ª Fase – iniciação

É a exposição aos agentes cancerígenos, sejam eles químicos (poluição, consumo de produtos industrializados, conservantes, etc.), físicos (luz solar, irradiação, etc.), ou biológicos (vírus e bactérias). Tais exposições causam mutações celulares temporárias que o sistema imunológico tenta reparar ou eliminar por apoptose (morte celular programada). Se o reparo e apoptose falharem, ocorre a fase seguinte.

2ª Fase – Promoção

Na reexposição aos agentes cancerígenos ocorre a mutação celular definitiva, e as células adquirem características de malignidade.

3ª Fase – Progressão

É a multiplicação celular desordenada, crescimento, invasão do câncer para os tecidos vizinhos e metástase (fragmento do tumor levado através da corrente sanguínea ou do sistema linfático para regiões do corpo distantes de onde se originou o tumor).

Principais diferenças entre tumores benignos e malignos:

Benignos: Tem crescimento lento, podendo se estabilizar. As bordas são bem delimitadas, não fazem metástase e não retornam após retirados (pode surgir novo tumor no mesmo órgão, mas nunca oriundo do primeiro). Tumores benignos nunca tornam malígnos, ainda que possam causar desconforto e dor por compressão de nervos, vasos ou órgãos.

Malígnos: Tem crescimento rápido, bordas mal definidas, podem apresentar ulcerações (feridas) e necrose (morte dos tecidos); fazem metástase com frequência, invadem os tecidos vizinhos, tendem a ser fixos, e as recidivas (reaparecimento do tumor) são comuns.

Um câncer nunca é herdado. podem-se herdar mutações em determinado gene, o que irá facilitar o aparecimento do câncer. Contudo, o câncer só surgirá quando houver acúmulo de mutações celulares irreversíveis ao longo do tempo. Ele pode surgir em qualquer parte do corpo, mas alguns órgãos são mais afetados do que outros.Além disso, um órgão pode ser afetado por tipos diferenciados de câncer, mais ou menos agressivos.

Tratamento

O tratamento pode ser cirúrgico ( indicado para tumores localizados. Objetiva a remoção total do tumor, junto com tecidos vizinhos envolvidos), radioterápico (irradiação do tumor), e quimioterápico ( o medicamento entra na corrente sanguínea e atinge todos os tecidos, mas tem afinidade maior com células as cancerosas), sendo possível também a combinação desses tratamentos.

Diz-se tratamento neoadjuvante quando a radioterapia ou a quimioterapia  é feita antes da cirurgia para erradicar possíveis micrometástases ou vestígios que possam ter restado tumor.

Prevenção

Hoje, 56% das calorias que ingerimos provêm de três fontes que não existiam quando nossos genes se desenvolveram: Açúcares refinados, farinhas brancas e óleos vegetais. Essas fontes não contêm proteínas, vitaminas, minerais e ácido graxos ômega-3, essenciais para as funções de nosso organismo. Por outro lado, alimentam diretamente o crescimento dos vários tipos de câncer.

Em 1931, o biólogo alemão Otto Heinrich Warburg recebeu o prêmio Nobel de Medicina por ter descoberto que o metabolismo dos tumores cancerosos era amplamente dependente do consumo de glicose (açúcar). Estudos recentes também comprovam que a obesidade é um fator de risco muito importante no surgimento do câncer.

A literatura científica nos leva à conclusão de que o melhor método de prevenção é manter uma alimentação saudável, pobre em açúcar e gorduras, aliada aos exercícios físicos.

Melânia Abreu, Enfermeira.

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