Cisão histórica

Divisão socialÉ fato que o ex-presidente Lula e o PT têm recorrido a uma retórica descrita pelos tucanos e outros políticos como “nós contra eles”, adotando linha divisionista no debate público.

É um erro de Lula. Esse discurso funciona bem para os convertidos e ajuda a manter unido um segmento petista e de esquerda numa hora de enfraquecimento político com a Lava Jato e a perda do poder no governo Dilma.

Também contradiz a linha conciliatória que Lula adotou na campanha eleitoral vitoriosa de 2002 e que norteou o governo dele, quando houve inclusão social em doses inéditas na história do país. Lula fez uma gestão conciliadora.

No entanto, é um erro atribuir a cisão do país ao ex-presidente e ao PT. Por cálculo eleitoral, o partido e o ex-presidente têm adotado essa linha.

Infelizmente, a divisão do país não é novidade. Ela é histórica. Está na sua origem. É a divisão retratada pela desigualdade social, pelo expressão “andar de cima e andar de baixo”, pelo uso intensivo da escravidão no seu desenvolvimento, pelo racismo, pelo machismo, pela homofobia, pelo “quarto de empregada”, pela expressão “você sabe com quem está falando?” e por inúmeros outros exemplos.

A cisão social do Brasil não é uma invenção dos novos tempos, mas ela tem servido tanto ao PT como aos seus adversários, como mostra a intensa exploração desse caminho por diversos políticos, inclusive Doria.

Os vídeos do prefeito, que inundam as redes sociais, têm pouca conciliação e muita retórica de guerra. Políticos, empresários, jornalistas e cidadãos devem ter a responsabilidade de civilizar o debate público no país. Infelizmente, vemos raramente isso.

FonteBlog do Kennedy

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