Justiça obriga banco a readmitir funcionário demitido na ditadura.

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BRASÍLIA – Hoje, Osmar Ferreira, 71 anos, atualmente advogado, por decisão do Tribunal Superior do Trabalho ganhou o direito de ser readmitido pelo Banco Bradesco que incorporou o extinto Banco da Bahia, em 1973, onde trabalhava como chefe do setor de cobrança e fora demitido por motivos políticos durante a ditadura militar.

O senhor Osmar Ferreira, quando foi demitido, após ser preso por ter relação com a Juventude do Partido Comunista Brasileiro (PCB) possuía estabilidade sindical, pois, em 1963, foi eleito suplente do presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Feira de Santana, e não poderia ter sido demitido.

O ex-bancário conta que depois de breve fechamento dos bancos, por ordem do exército, ao chegar ao trabalho foi chamado por um sargento a sala da gerência da agência onde trabalhava e recebeu ordem de prisão: “ fiquei 12 dias detido e sofri muitas torturas físicas, mas principalmente psicológicas”, afirmou

Segundo Ferreira, o motivo teria sido porque ele lutava pela estatização de alguns setores da economia, inclusive do setor bancário, num sistema onde todo poder econômico era ligado à ditadura.

Com a lei da anistia sancionada, em 2003, Ferreira entrou com pedido de perdão político e o obteve em 2010. No ano seguinte, retornando ao sindicato que integrava ao ser preso pelos militares, o advogado entrou com uma ação na Justiça para ser reintegrado ao posto profissional. O processo passou por três instâncias até o aval favorável do Tribunal Superior do Trabalho.

Entretanto, Ferreira disse que vai recorrer da decisão. Ele explica que somente a readmissão decidida em juízo, não é o bastante, pois, não receberia todos os seus direitos trabalhistas de 50 anos, incluindo salário, férias e promoções a que poderia fazer jus.

Diante disso, lutará para ser integrado às suas funções. “Não tenho perspectiva de valores, pois é um cálculo complexo. Mas não penso nesse dinheiro, pois o que quero é minha dignidade de volta. Quero mostrar que quem for injustiçado pode reaver seus direitos”, disse sobre os valores que receberá caso consiga a vitória que deseja.

Por: Adão Lima de Souza

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