Referendo aprova anexação da Crimeia à Rússia, mas, Estados Unidos e Europa se negam a conceder legitimidade ao processo.

CRIMEIAMOSCOU – Eleitores do referendo separatista convocado pela república autônoma da Crimeia (Ucrânia) pronunciaram-se, neste domingo, a favor da incorporação deste território pela Rússia.

Dos votantes, cuja participação se estima tenha sido em torno de 89,5% dos eleitores, 95,5% disseram sim a anexação, enquanto 3,5% optaram por continuar sendo parte da Ucrânia, mas com mais autonomia, segundo informou a Comissão Eleitoral do território situado ao norte do Mar Negro.

Nesta consulta, segundo a televisão oficial da Crimeia, que transmite juntamente com o canal de televisão russo Rossia 24, a participação no referendo superou a marca dos 89,5% em Sebastopol, cidade sede da frota do Mar Negro da Rússia; na capital Simferopol, foi de 88,5% e chegou a 82,7% no restante da península.

O canal reiterou, ainda, que 40% dos tártaros, comunidade mais contrária ao referendo, haviam votado. Porém, esses dados são impossíveis de serem verificados porque são advindos de fonte pró-Moscou, segundo matéria do jornal espanhol El País.

Duas perguntas foram submetidas aos votos de mais de 1,5 milhão de pessoas. A primeira era sobre a incorporação à Rússia, como província, e a segunda sobre a permanência na Ucrânia, baseando-se na Constituição local de 1992.

Segundo o Censo da Crimeia, 58,3% dos habitantes da península são russos, 24,3% são ucranianos e 12,5% são tártaros.

No último dia 6 de março, o Parlamento da Crimeia aprovou uma declaração de independência, e seus dirigentes sublinharam que o triunfo do “SIM” significa que a Crimeia se declara independente.

Por outro lado, uma lei de 2001, dá à Rússia o poder de ampliar suas dimensões incorporando Estados (ou territórios pertencentes a esses Estados), mediante um acordo internacional e bilateral.

Enquanto isso, a Casa Branca se prepara para impor suas próprias sanções. No Capitólio, republicanos e democratas trabalham nas leis que contemplam medidas de punição e que, esperam, se apliquem em coordenação com a Europa. “Se a Rússia aceitar a anexação da Crimeia, estamos dispostos a adotar sanções muito duras”, advertiu o chefe do Comitê de Assuntos Exteriores do Senado, o democrata Bob Menéndez.

Vários falcões republicanos, no entanto, já se manifestaram a favor da adoção de medidas mais contundentes, que passam inclusive pela assistência militar à Ucrânia, como propôs John McCain, que acaba de visitar o país junto com um grupo de outros sete senadores.

Muitos, no entanto, atribuem à “indecisão e à fragilidade” mostradas por Obama em outras crises internacionais a atitude desafiadora de Putin. “Não há dúvida de que essa administração fomentou um ar de permissividade”, reconheceu ontem Bob Corke, o máximo representante republicano no Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara Alta.

Fonte El País.

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