Arquivos da Seção: Diversos

18º Moto Chico — Programação 2017

Moto ChicoPROGRAMAÇÃO OFICIAL DO 18º MOTO CHICO:

06/07/17 (quinta-feira):
14h – Recepção aos Motociclistas
14h – Inscrições e Entrega de Troféus
14h – Término da Recepção
19h – Moto Culto: A Rede do Rock (Gospel)
20h – Término das Inscrições e Entrega de Troféus
20h30 – OuTrio
22h – Classic Rock Club Band
23h – Estrada Norte

07/07/17 (sexta-feira):
10h-Recepção aos Motociclistas
10h – Inscrições e Entrega de Troféus
18h – Término da Recepção
19h – Los Ogros
20h – Término das Inscrições e Entrega de Troféus
20h30 – Abertura Oficial do 18º Moto Chico
21h – Omni
22h30 – Secabudega
0h – MPA

08/07/17 (sábado):
10h – Recepção aos Motociclistas
10h – Inscrições e Entrega de Troféus
18h – Término da Recepção
19h – Petrônio Munduri & Banda
20h – Término das Inscrições e Entrega de Troféus
20h30 – Rock n’ Riders
22h – Mr. Jack
23h30 – Semivelhos

09/07/17 (domingo):
7h – Despedidas aos Motociclistas
14h30 – Romário Amorim (acústico)
20h – Encerramento Oficial do 18º Moto Chico.

Fonte: Revista Motoclubes

Victor Hugo: advogado dos miseráveis

HugoEL PAÍS – Victor Hugo nasceu em 26 fevereiro de 1802 na cidade de Besançon (França). Poeta, dramaturgo e romancista francês, é considerado um dos autores mais importantes da língua francesa e também um político e intelectual muito comprometido e influente na história de seu país e da literatura do século XIX.

Victor Hugo, por causa da profissão militar de seu pai, viveu em várias cidades francesas em sua infância, como Elba, Marselha e Nápoles. Quando seu pai acompanhou o novo rei José I (o famoso Pepe Botella – Pepe Garrafa, no apelido depreciativo), irmão de Napoleão Bonaparte, até a Espanha, o jovem Victor Hugo chegou a Madri, onde morou por dois anos.

A partir de 1815, Victor Hugo se estabelece em Paris, estudando com o objetivo principal de se dedicar à literatura. Foi um excelente estudante, a tal ponto que aos 15 anos ganhou um prêmio da Academia Francesa por um trabalho lírico, prelúdio de seu primeiro grande livro de poemas de 1822, Odes e Poesias Diversas. No mesmo ano casou-se com Adele Foucher, com quem teve cinco filhos. Fundou com Eugène e seus outros irmãos, também escritores, a revista Le Conservateur Litteraire, onde publicou o romance Bug-Jargal.

Sua quase infinita capacidade produtiva proporcionou grandes obras da literatura universal, com títulos como Cromwell (1827), Nossa Senhora de Paris (também conhecido como O Corcunda de Notre Dame) (1831) ou O Rei se Diverte (1832).

No entanto, sua obra não esteve isenta de polêmica pela ação da censura que, por exemplo, proibiu sua triunfal peça teatral Marion de Lorme em 1829, embora tenha conseguido no ano seguinte um sucesso retumbante com o drama Hernani (1830), que triunfou na Comédie Française.

Logo foi considerado o líder das fileiras do Romantismo pelo virtuosismo que revelou em As Orientais (1829), que deslumbrou seus contemporâneos pelo exotismo oriental.

Em 1841 Victor Hugo entrou na Academia Francesa, mas, desanimado com o fracasso retumbante de Os Burgraves abandonou o teatro em 1843. Sem dúvida, a morte por afogamento de sua filha Léopoldine no Sena, que ocorreu enquanto ele estava viajando, juntamente com a morte de um de seus irmãos e a decepção pela traição de sua esposa com um amigo contribuíram para mergulhá-lo em uma profunda crise. Encontrou estabilidade algum tempo depois com a atriz Juliette Drouet, com quem permaneceu até sua morte.

Entregue a uma atividade política cada vez mais intensa, Victor Hugo foi nomeado par da França em 1845 pelo rei Luís Felipe de Orleans. Apesar de se apresentar nas eleições de 1848 em apoio à candidatura de Luís Napoleão Bonaparte, seus discursos sobre a pobreza, os assuntos de Roma e a lei Falloux anteciparam sua ruptura com o Partido Conservador.

Victor Hugo intervém na Assembleia Constituinte com seu Discurso sobre a miséria, dentro do debate parlamentar sobre a lei de pensões e assistência pública no qual denuncia a situação desesperada da população e culpa a Assembleia por não apresentar soluções.

Em julho de 1851, denunciou as ambições ditatoriais de Luís Napoleão e, após o golpe, fugiu para a Bélgica. Não publicou nenhuma obra entre 1843 e 1851, mas concebeu seu romance Os Miseráveis e escreveu numerosos poemas que apareceram mais tarde.

Em 1852 estabeleceu-se com sua família em Jersey (Reino Unido). Ali permaneceu até 1870, rejeitando a anistia oferecida por Napoleão III. Deste exílio de vinte anos nasceram Os Castigos, série brilhante de poemas satíricos, a trilogia de Fim de Satã, Deus e A Lenda dos Séculos, exemplo de poesia filosófica, na qual traça o caminho da humanidade até a verdade e o bem desde a época bíblica até seu tempo, e seu romance Os Miseráveis, denunciando a situação das classes mais humildes.

De volta a Paris, após a queda de Napoleão III (1870), Victor Hugo foi aclamado publicamente e eleito deputado, mas acabou derrotado na eleição seguinte, embora tenha vencido em 1876 como senador de Paris, cargo que usou para defender a anistia aos partidários da Comuna. No entanto, desiludido com a política, retornou ao Reino Unido dois anos depois.

À medida que o ritmo de sua produção diminuía, aumentava seu prestígio. Por exemplo, um banquete comemorou o quinquagésimo aniversário de sua obra Hernani; em 1881 seu aniversário foi comemorado oficialmente e os senadores, na tribuna, ficaram de pé, sem exceção, em sua honra.

Na verdade, inúmeras óperas se inspiraram nas obras de Victor Hugo; centenas de poemas foram musicados e foram produzidos musicais e adaptações cinematográficas baseados em seus livros.

Victor Hugo morreu em Paris em 22 de maio de 1885 com 83 anos, com pleno domínio de suas faculdades. Suas opiniões, ao mesmo tempo morais e políticas, e sua obra excepcional, fizeram dele um personagem emblemático que a Terceira República homenageou com um funeral de Estado, realizado em 1º de junho e que foi acompanhado por mais de dois milhões de pessoas, e com o enterro de seus restos mortais no Panteão de Paris.

‘Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’:57 Personagens para uma capa mítica

BEATSgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band rompeu várias convenções na música. Foi um dos primeiros álbuns de capa dupla, com as letras das músicas impressas, bolso interno decorado e capa desenhada por um artista famoso, Peter Blake.

Das 57 personalidades escolhidas pelos Beatles para a capa, hoje um mito, 18 eram atores e 15 escritores. Entre os primeiros, Marlon Brando, Fred Astaire, Marilyn Monroe e Tony Curtis; entre os segundos, Poe, Dylan Thomas, H. G. Wells, Oscar Wilde, Lewis Carroll e Joyce. Também aparecem Bob Dylan, Marx e Einstein. O quarteto aproveitou para colocar o jogador de futebol do Liverpool Albert Stubbins, mas nada comparado com o que fez George Harrison ao incluir quatro iogues indianos.

Gal Gadot usou experiência no exército israelense para compor sua ‘Mulher Maravilha’

LOS ANGELES – Ao sair de uma tenda montada no interior do estúdio da Warner Bros., nos arredores de Los Angeles, Gal Gadot topou com um grupo de jornalistas à sua espera. “Ops”, disse a atriz de 32 anos, esquivando-se para os fundos do espaço para trocar as pantufas que usava nos pés por sapatos não tão confortáveis, porém mais aceitos em um ambiente razoavelmente glamouroso como de Hollywood.

Atriz israelense com passagem pelo exército do seu país e especialização em combate corpo a corpo, Gadot ainda não parece ter sido picada pelo bichinho responsável em transformar estrelas em ascensão em personalidades indigestas. “A única coisa que disse a Gal quando terminamos as filmagens é: ‘você não precisa ser uma Mulher Maravilha todos os dias’”, contou Patty Jenkins, diretora de Monster: Desejo Assassino e responsável por comandar a atriz em Mulher Maravilha – com estreia prevista para esta quinta-feira, 1.º. É o primeiro filme dedicado a uma das mais importantes personagens dos quadrinhos, ao lado de Batman e Superman, 76 anos depois da sua criação nas HQs. “Eu não sou inocente e me preocupo com o que ela vai ter que enfrentar. Acho ela tão maravilhosa. E vai passar por uma viagem bem esquisita”, completa.

Gal Gadot é uma nova estrela improvável. Era uma desconhecida para o grande público até o anúncio de que interpretaria a amazona capaz de derrotar exércitos sozinha, há quatro anos – o que gerou alguma repercussão negativa por parte dos fãs. Sua escalação é fora da caixinha do que se estabeleceu em Hollywood: uma atriz estrangeira, não nascida nos Estados Unidos ou Europa. Seu inglês não é nativo e, além de funcionar para a personagem que vive em uma ilha localizada no mediterrâneo, a pronúncia às vezes escorregada na língua confere humanidade à atriz. “Chris (Pine, que interpreta o soldado norte-americano Steve Trevor) é o meu tradutor”, brinca Gal, já com novos calçados nos pés, ao lado do ator.

Sua missão será dura. Embora Jennifer Lawrence já tenha mostrado aos executivos da indústria do entretenimento que é possível ter uma mulher forte à frente de um blockbuster com Jogos Vorazes, a mentalidade demorou para mudar quando o assunto eram as adaptações das histórias dos super-heróis dos quadrinhos para as telonas. Desde que a nova e bem-sucedida safra veio à tona, com o primeiro Homem de Ferro, de 2008, foram incontáveis filmes, nenhum protagonizado por uma mulher – e, neles, as personagens femininas tiveram pouquíssimo destaque; nem mesmo Scarlett Johansson foi capaz de sobressair em Os Vingadores.

Gadot, que mostrou um pouco de sua Mulher Maravilha em uma breve e importante participação no filme Batman vs Superman: A Origem da Justiça, ainda está surpresa ao ver seu rosto, sozinho, nos pôsteres de divulgação do longa. Diz ter tomado um susto ao ver sua própria imagem em um anúncio enorme na Times Square, em Nova York.

“A importância desse filme é sem precedentes”, explica, ainda ao lado de Pine, que pouco fala no tempo que eles têm juntos diante dos jornalistas. “Depois de 76 anos de histórias da Mulher Maravilha, ela, enfim, vai aparecer em um filme só para ela. Os meninos já viram Superman, Batman. É importante, para garotos e garotas, verem essa heroína nesse ambiente. É um filme que sai das questões complicadas em histórias de herói. O que Patty (Jenkins) propõe é mostrar a importância das coisas simples, valores como igualdade, amor, aceitação. Com eles, podemos ser pessoas melhores.”

Gal Gadot permaneceu em pé o tempo todo – há duas semanas, machucou as costas e precisou cancelar alguns eventos com fãs por conta disso. Ao ser questionada sobre a importância da personagem na carreira e se teme ficar marcada como Mulher Maravilha para sempre, ela sorri. “Consegui esse trabalho dos sonhos, é isso que eu penso”, diz. “Adoro o fato de vermos a evolução da personagem, de uma jovem idealista no começo, alguém que acredita na bondade. É inocente. E, aos poucos, ela vai entendendo a complexidade da vida.”

Mãe de duas meninas, a mais nova nascida há dois meses, Gadot sabe da importância de fazer de Mulher Maravilha um sucesso de crítica e público. Mas não é tudo. Para ela, e contrariando as indicações da diretora do filme, é mais importante ser Mulher Maravilha com a própria família. “Meu maior personagem na vida ainda é ser mãe.”

Fonte: MSN

Não farás perguntas

BrenoÉ provável que queiras um filho. E, então, bobamente feliz, quererás o teu filho. Farás de tudo para que ele tenha no rosto sempre o desenho de um riso largo, não cariado. Dirás, na presença de teu filho, coisas belas, magníficas, inexistentes. Quererás um filho, menino forte e ágil, quererás esse filho bobamente feliz. A ele, quando crescido, não farás perguntas. Ao revés, de todas as interrogações, cuidarás em mantê-lo distante, numa dessas alturas onde nada se escuta. E, então, o teu filho ignorará a possibilidade de fazer pergunta a si próprio, conversando com plantas e bichos – que não questionam. Quererás teu filho sempre em riso descerrado, longe de meninos sem dentes e de pés sujos. Porque teu filho terá a alvura de qualquer coisa celeste. Bobamente feliz, quererás o teu filho. Apartado de livros, de palavras que façam pensar sobre imagens obscuras. Porque quererás teu filho sempre próximo ao céu. E de tudo farás chegar ao teu filho o quinhão do triunfo, a fortuna da vitória exposta em dia de Natal a outros dois imaculados. Carregará a sina de ter de sorrir ao lado de anjos e harpas de glória, o teu filho. E, então, bobamente feliz, darás a teu filho um designativo único, majestático, desses que, ao longe, se distinguem os traços de alguém que ri. É provável que queiras um filho e a ele farás participar o doce de uvas não envenenadas, pisadas por pés etéreos para vinho. Quererás o teu filho bobamente feliz, o desenho de um riso largo, não cariado, e, então, suprimirás todas as perguntas, os silêncios que bosquejam a silhueta de uma interrogação. É provável que queiras um filho.

Por: Breno S. Amorim

Leia mais em: https://esquinasinconciliaveis.wordpress.com/2017/05/21/nao-faras-perguntas/

Anúncios

HOMEM COMUM

Ferreira-GullarSou um homem comum

de carne e de memória

de osso e esquecimento.

e a vida sopra dentro de mim

pânica

feito a chama de um maçarico

e pode

subitamente

cessar.

Sou como você

feito de coisas lembradas

e esquecidas

rostos e

mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia

em Pastos-Bons

defuntas alegrias flores passarinhos

facho de tarde luminosa

nomes que já nem sei

bandejas bandeiras bananeiras

tudo

misturado

essa lenha perfumada

que se acende

e me faz caminhar

Sou um homem comum

brasileiro, maior, casado, reservista,

e não vejo na vida, amigo,

nenhum sentido, senão

lutarmos juntos por um mundo melhor.

Poeta fui de rápido destino.

Mas a poesia é rara e não comove

nem move o pau-de-arara.

Quero, por isso, falar com você,

de homem para homem,

apoiar-me em você

oferecer-lhe o meu braço

que o tempo é pouco

e o latifúndio está aí, matando.

Que o tempo é pouco

e aí estão o Chase Bank,

a IT & T, a Bond and Share,

a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,

e sabe-se lá quantos outros

braços do polvo a nos sugar a vida

e a bolsa

Homem comum, igual

a você,

cruzo a Avenida sob a pressão do imperialismo.

A sombra do latifúndio

mancha a paisagem

turva as águas do mar

e a infância nos volta

à boca, amarga,

suja de lama e de fome.

Mas somos muitos milhões de homens

comuns

e podemos formar uma muralha

com nossos corpos de sonho e margaridas.

Ferreira Gullar – (Brasília, 1963)

Morre Ferreira Gullar, aos 86 anos

Ferreira GullarO escritor, poeta e teatrólogo Ferreira Gullar morreu na manhã deste domingo (4), no Rio de Janeiro, aos 86 anos. A causa da morte ainda não foi divulgada. Ele estava internado no Hospital Copa D’Or, na Zona Sul do Rio.

Gullar era o quarto dos 11 filhos Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart. Ele nasceu em São Luís (MA), em 10 de setembro de 1930, com o nome de José Ribamar Ferreira.

O sobrenome materno adaptado ao português foi adotado somente pelo escritor aos 18 anos, quando começou a publicar poesias. Ativo, Gullar se afiliou ao Partido Comunista após a instauração da ditadura militar, em 1964. Neste período, se exilou em Buenos Aires, onde escreveu “Poema sujo”, uma das suas principais obras.

O escritor voltou ao Brasil somente em 1977 sendo preso e torturado pelo Departamento de Ordem Política e Social – DOPS. Gullar foi libertado dias depois, após forte pressão internacional.

Em 2002, foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura. A indicação foi endossada por nove especialistas de três países: Brasil, Portugal e Estados Unidos.

Biógrafa de David Bowie reforça a ideia de suicídio assistido ao afirmar que o artista “construiu sua despedida”

David-BowieDavid Bowie morreu no início desse ano, no dia 10 de janeiro, dois dias depois de seu aniversário e do lançamento do seu último álbum de inéditas, Blackstar.

Agora, a biógrafa do cantor, Lesley-Ann Jones, em matéria escrita no jornal Daily Mail, e também em entrevista veiculada pela rádio BBC, afirma que Bowie pensou na própria morte. “Conversei com várias pessoas que sugeriram que a morte dele foi resultado de suicídio assistido. Tenho certeza de que ele não envolveu familiares e amigos para que eles ficassem protegidos”, destacou.

O ex-apresentador da BBC, Andy Peebles, que entrevistou Bowie diversas vezes, reforça a ideia de suicídio assistido ao afirmar que o artista “construiu sua despedida. Foram duas músicas divulgadas em poucos dias [“Blackstar” e “Lazarus”] e logo depois um de seus trabalhos mais importantes no dia do aniversário dele. Aí dois dias depois ele morre. Eu não consigo ver tudo isso como coincidência”. E finaliza, “Quando você pensa a respeito, Bowie gerenciou todo o resto em toda a sua carreira, por que a morte dele seria de uma forma diferente? Ele podia fazer isso do jeito que queria, melhor pra ele”.

Led Zeppelin: Júri decide que não houve plágio em ‘Stairway to Heaven’

Led ZeppelinUm júri decidiu a favor do Led Zeppelin nesta quinta-feira em um julgamento sobre violação de direitos autorais em um tribunal federal em Los Angeles.

A banda foi acusada de roubar os acordes iniciais do clássico 1971 “Stairway to Heaven” da introdução de outra música um grupo americano.

O vocalista do Led Zeppelin, Robert Plant, havia negado ter cometido plágio na introdução do hit. Ele disse em depoimento à Justiça americana ter escrito a canção décadas atrás na zona rural da Inglaterra. O cantor contou que escreveu “Stairway to heaven” no início dos anos 1970 em Headley Grange, um estúdio de ensaios e gravações em Hampshire, no Reino Unido, que a banda costumava usar.

Após dois anos de procedimentos judiciais, um juiz federal decidiu que a canção não havia sido plagiada, mas considerou que havia material suficiente para um processo.

“Naquela noite em particular, eu me sentei ao lado de Jimmy [Page], junto à lareira, e me veio à mente o primeiro verso que se encaixava no que ele estava tocando”, afirmou, lembrando a introdução da famosa canção. “Tentei, realmente, trazer a Grã-Bretanha pastoral, remota… As referências celtas antigas, quase não faladas, para a composição”, acrescentou.

Plant e Page estão sendo processados por supostamente plagiar os melancólicos acordes de guitarra na abertura de “Stairway to heaven” de “Taurus”, canção da banda de rock psicodélico de Los Angeles Spirit, editada três anos antes.

Na semana passada, Page afirmou que sua progressão nos acordes tinha mais em comum com a “Chim Chim Cher-ee”, do musical “Mary Poppins”, de 1964, do que com qualquer outra coisa. O baixista do Led Zeppelin, John Paul Jones, também rechaçou as alegações de que seus companheiros de banda tenham plagiado trechos da canção do Spirit.

O guitarrista do Spirit, Randy California, autor de “Taurus”, afirmou durante muito tempo que merecia créditos pela composição de “Stairway to heaven”, mas nunca entrou com uma ação legal e morreu afogado em 1997 no Havaí.

Há dois anos, a ação por perdas e danos apresentada por seu curador e amigo, Michael Skidmore, alega que Randy California merece o crédito para que possa, ainda que de forma póstuma, “assumir seu lugar como autor da maior canção de rock” já escrita. Estão potencialmente em jogo neste caso milhões de dólares em direitos autorais.

Frutos: mas que frutos?

 “Não levas tua beleza ao túmulo:
trazes ao túmulo o imprestável.”
(Nauro Machado, Hades)

BrenoAbriu a porta do carro e entrou. Marcelo estava ansioso, era o seu último dia de graduação. Cinco longos anos. A árdua aprendizagem que a universidade não lhe dera. Apresentada a monografia, adeus sala de aula. Horas estragadas, pensava. Angústia-resto.

Em casa, aprendeu a lição secular. Necessário ser alguém, todos lhe diziam. No início, não compreendeu bem o badalar perenal. Nascer não basta? O pai dizia que não. Assim a mãe, a vó e o irmão, mais recente aprendiz. A escola logo lhe apareceu como primeira gradação. Lá iria aprender a ser alguém, tornar-se grande. Matriculado, a velha liturgia fê-lo juntar letras, formar vocábulos. Riscado o quadro, a professora instigava os alunos à repetição. De tudo, a sonoridade das palavras o entontecia.

Em tempos de vestibulares, dois interesses colidiram, infranqueáveis.  Por sua própria vontade, escolheu Física, paixão cuja escola não conseguiu matar, absolutamente. Como, porém, explicar ao pai? Rubem, homem criado na lógica da mercancia, não dava ponto sem nó. Observava, mesmo uma flor, sob a ótica da lucratividade. Vá explicá-lo a propósito das paixões, dos impulsos! Debalde, pensava Marcelo.

— Menino, atente: é preciso ser grande, doutor. Física não te levará a lugar algum. Melhor te cairá um terno ou um jaleco… De médico, não me venha com graça! – sentenciava.

A contragosto, ei-lo advogado. Doutor, sim, senhor! Com que força – ou languidez – move-se um homem sob coerção? Bacharel, o diploma na parede, o pai estampava largo sorriso, enquanto mostrava aos visitantes o papel que era mais seu que do filho.

— Doutor, meu filho! – repetia, efusivo.

Sim, ainda havia outra árvore de que colher frutos. Grávida, a mulher abrigava uma prospecção. Tal a sua idiossincrasia, aos filhos bem poderiam ser os nomes dispensáveis. Antes um número – essas vidas estatísticas.

Nos livros, Marcelo afogava a própria tibiez. A literatura, precisamente, soprava em seus subsolos, clarejava sua água-furtada. Com que euforia lera as andanças do Cavaleiro da Triste Figura! E Dostoiévski, em continuação, que maravilha de idiota. Se ao menos conservasse a intrepidez de quem, elegendo ideais, segue a desafiar os percalços do caminho. Ser, também ele, guiado por uma pura beleza. Se Dulcinéia ou Nastássia Filíppovna, pouco se lhe daria. Importante, unicamente, um encanto arrebatedor, uma força a incitar coragem ante os despropósitos do mundo.  Mas, não. O medo o tornara isto que é, um títere que delira com cordéis inalcançáveis.

Fustigava-o a mínima decepção causada. O cotidiano afugentava, por seu próprio alvedrio, as lições tomadas nas brochuras literárias, tamanho o hábito contristado de fazer as vontades forâneas, alheias. Ser benquisto, não sabia Marcelo, requer, em muitos casos, a anulação de si próprio. Dizer não aos familiares – que fardo insuportável! O sorriso dos que lhe cercavam, queria crer, valia os seus infernos diários, os passos não dados, as cidades não vistas, as ardências longínquas. Seguia, tal a sua convicção.

Ante o impulso da satisfação externa, Marcelo enceta carreira por todos há muito esperada. Nascera com esse objetivo. Preestabelecido unilateralmente. Um feto a espera do ‘doutor’ a anteceder o nome, uma criança a brincar enquanto se delibera sobre seu futuro certo, pontual, irretorquível. Doutor, ei-lo. Primeiro cliente. Para ele, chateação. Ter de ir ao código, encontrar-se com juiz, dizer ao inaugural que não se preocupe, que fará tudo quanto alcance. Enfado. Por muito pouco, náusea.

Dia da audiência. Acorda cedo e, entre um e outro bocejo, sorve o café. Trânsito. Estrépito citadino. Chega. Atravessa a rua, distraidamente. Outro bocejo. A cabeça em outro lugar, caminha, displicente, em direção ao fórum. Não nota o carro em alta velocidade, motorista embriagado, logo cedo, que absurdo!

Em seu velório, o pai, em prantos, remói a própria dor. Tentam acalmá-lo. Falam nos desígnios de Deus. Que não, responde, não pode ser. Aos berros, lamenta os lucros cessantes. O filho morto depois de tanto investimento: escola, faculdade, livros técnicos, calculadora, régua. O que fizera para merecer tal, Senhor, o que fizera? Desconsolado, desvia o seu olhar para a barriga da mulher, já agora com oito meses. E como quem vê o prorromper de chama nova, estertora:

— Ao menos este fruto a colher, este doutor futuro, esta prospecção…

Breno S. Amorim