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Forte terremoto provoca dezenas de mortes no México

MéxicoUm forte terremoto de magnitude 7,1 provocou dezenas de mortes no México nesta terça-feira, dia que marca justamente o 32º aniversário do devastador terremoto de 1985 que provocou milhares de mortes.  O abalo desta terça atingiu a capital, de 20 milhões de habitantes e o sul do país. Na Cidade do México, provocou pânico, levou ao esvaziamento de prédios e casas e levou as pessoas a se aglomerarem pelas ruas.

Segundo a imprensa local, ao menos cinco pessoas morreram no estado de Puebla. Alfredo Del Mazo, governador do Estado do México, onde fica a capital, confirmou duas mortes nessa região. Ainda mais alarmante é a situação no estado de Morelos, com 42 mortes, segundo o governador Graco Ramírez.

Ao menos 20 prédios caíram ou ficaram seriamente danificados, infmorou o prefeito da Cidade do México, Miguel Ángel Mancera, em entrevista à Televisa. Segundo Mancera, há relatos de pessoas presas nos escombros de edifícios que ruíram, mas ainda não há um número exato de vítimas.

O tremor ocorreu apenas algumas horas depois de muitos participarem de treinamentos sobre terremotos em todo o país no aniversário do sismo de 1985.

Milhares de pessoas a abandonarem edifícios empresariais e deixou o trânsito parado no centro da Cidade do México. Imagens divulgadas pela mídia mexicana e em redes sociais mostram prédios danificados e ruindo e ruas cobertas de escombros. Partes da cidade ficaram sem energia elétrica e sinal de telefone.

O aeroporto internacional da Cidade do México comunicou a suspensão de suas atividades até que sejam concluídas verificações em sua infraestrutura. Não ficou claro quantos voos foram afetados.

O terremoto aconteceu 8 km a sudeste de Atencingo, no Estado central de Puebla, a uma profundidade de 51 km, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Imagens de televisão mostraram pessoas sendo retiradas dos escritórios nas principais cidades. Testemunhas disseram que havia cenas de pânico e pessoas choravam nas ruas depois de deixar suas casas.

Um poderoso terremoto de magnitude 8,1 atingiu o México no início deste mês, matando pelo menos 98 pessoas.

A Coréia do Norte advertiu que “centenas de milhões” de americanos serão mortos e declarou que o continente americano não está a salvo de Kim Jon-un

CoreiaA mídia estatal da capital Pyongyang publicou um alerta arrepiante sobre um possível conflito nuclear que se aproxima com Washington.

O porta-voz de Kim Jong-un deu uma declaração provocativa sobre um recente teste de mísseis realizado pela Coréia do Sul:

“Eles estão prestes a ser massacrados. Duas horas é o tempo que precisamos para destruir todo o território deles”

Com relação aos EUA, ele pediu que a Casa Branca  “salve as vidas de centenas de milhões de americanos” e evite a guerra com a RPDC (República Democrática Popular da Coreia ).

Pyongyang se comprometeu a continuar sua busca por um ICBM nuclear capaz de atingir o continente americano.

Testes de mísseis (de menor porte) foram realizados recentemente pelo estado secreto e especialistas acreditam que é apenas questão de tempo antes de Kim explodir a sétima bomba nuclear.

A última ameaça, publicada no jornal Rodong Sinmun, classificou os exercícios realizados pelos EUA como “obscuros” e  de “comportamento burro” feitos somente para “assustar” a RPDC:

“Esses exercícios são uma desculpa dos EUA para invadir a RPDC e inflamar uma guerra a qualquer momento”.

A matéria acrescentou:

“Os EUA devem ser aconselhados a tomar medidas urgentes para salvar a vida de centenas de milhões de americanos ao invés de se preocuparem com a segurança dos sul-coreanos”.

Kim Jon-un também fez questão de pedir à Coréia do Sul que rompa a aliança com os EUA e defenda seu território com seus próprios meios:

“A única maneira de os EUA escaparem da destruição completa é retirarem todos os cidadãos e forças da Coréia do Sul.”

Há receios de que o presidente (recém eleito) da Coreia do Sul, Moon Jae-in, construa um acordo com os vizinhos do Norte e declare a remoção imediata do sistema de defesa de mísseis dos Estados Unidos THAAD .

Mulher e filho de Maduro eleitos para a Constituinte

MADUROA mulher e o filho do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foram eleitos entre os 545 integrantes da Assembleia Constituinte convocada por ele, assim como alguns dos principais membros da cúpula do chavismo.

A eleição do último domingo (30) confirmou a expectativa do líder, que poderá avançar com as medidas que deseja com a troca da Constituição —como aumentar seus poderes e tentar acabar com os protestos da oposição.

Os nomes dos eleitos começaram a ser divulgados nesta terça-feira (1º) pelo Conselho Nacional Eleitoral, e alguns deles foram diplomados. O número de votos que cada um obteve, no entanto, ainda não foi revelado.

Nicolás Maduro Guerra, 27, concorreu a sua primeira eleição e será constituinte setorial dos servidores públicos. Ele ocupou diversos cargos no governo desde que seu pai assumiu a Presidência, em março de 2013.

Sua madrasta, Cilia Flores, 64, chamada no chavismo de “primeira combatente”, é cotada para ser vice-presidente da Constituinte. O comando da Casa deverá ficar com o radical Diosdado Cabello, número dois do chavismo.

Já a ex-chanceler Delcy Rodríguez tem missão designada por Maduro desde antes de ser eleita. Ela deverá presidir uma comissão da “sobre a violência política desde 1999”, ano da posse de Hugo Chávez (1954-2013).

A oposição teme que o grupo decrete a prisão de seus líderes e torne seus partidos ilegais. Também estão entre os eleitos o ex-vice-presidente Aristóbulo Istúriz, a ex-ministra Iris Varela e Adán Chávez, irmão mais velho do líder da Revolução Bolivariana.

Trump fala em ‘simplesmente revogar’ Obamacare após revés

TrumpCom o fracasso iminente da atual versão do chamado “Trumpcare”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu aos republicanos que “simplesmente revoguem” o Obamacare e iniciem uma “nova reforma” da saúde.

Em novo revés para Trump, dois senadores do Partido Republicano anunciaram nesta segunda-feira (17) que não apoiarão a proposta de lei para substituir o sistema de saúde criado pelo ex-presidente dos EUA Barack Obama.

Com a perda do apoio de Mike Lee e Jerry Moran, o projeto não tem possibilidade de obter aprovação, já que o governo passa a ter 48 votos no Senado, ficando abaixo dos 50 necessários.”Nós fomos decepcionados por todos os democratas e alguns republicanos”, escreveu Trump em sua conta do Twitter.

Apesar da perda de apoio em seu próprio partido, o presidente dos EUA disse que a maioria dos republicanos foi “leal e trabalhou muito”.

De acordo com Trump, o Obamacare deve ser revogado mesmo sem a aprovação de um programa de saúde que o substitua.

“Os republicanos devem simplesmente revogar o falido Obamacare e agora trabalhar em uma nova reforma da saúde”, escreveu Trump em sua conta do Twitter. “Nós vamos voltar!”

Segundo Trump, os democratas se uniriam a tais esforços, ainda que eles tenham se recusado participar da revogação do Obamacare.

DIVISÃO

Os democratas estão unidos contra o “Trumpcare”, enquanto os republicanos -que controlam 52 das 100 cadeiras do Senado- estão divididos. Na semana passada, os senadores republicanos Susan Collins e Rand Paul já haviam se declarado contrários ao projeto, o que não dava margem ao Partido Republicano para novas deserções.

Além dos quatro republicanos que se opõem ao projeto, outros ainda estão indecisos.

A votação no Senado estava prevista para ocorrer nesta semana, mas havia sido adiada pelo líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell. Com a nova debandada, McConnell pode fazer alterações no projeto para atrair outros congressistas.

“Lamentavelmente parece agora que o esforço para repelir e substituir imediatamente o fracasso do Obamacare não será bem sucedido”, disse McConnell em comunicado.

Foi a mais recente de uma série de reveses para os republicanos sobre a reforma da saúde, apesar de seu controle em ambas as casas do Congresso e da Casa Branca.

Esta é a segunda proposta que os republicanos levam ao Senado. Em junho, McConnell teve de cancelar a votação por falta de apoio.

Fonte:  Folhapress.

Eleições do Reino Unido têm recorde de mulheres eleitas

Reino UnidoUm número recorde de mulheres foram eleitas para ocupar assentos na Câmara dos Comuns nas eleições gerais do Reino Unido de ontem. Pelo menos 207 mulheres foram eleitas no pleito, que acabou mantendo a atual premiê, Theresa May, no cargo. O balanço ainda não está fechado, porque um distrito de Londres ainda não divulgou o resultado da sua votação, mas representa 32% do parlamento composto por mulheres.

Até a eleição desta semana, eram 196 mulheres que ocupavam assentos em Westminster – 191 eleitas em 2015 e outras cinco em eleições ou substituições subsequentes (as chamadas “by elections”).

O partido com representatividade mais expressiva é o Trabalhista, com 45% do quadro ocupado por mulheres – 118 entre 261 representantes. Já no partido da premiê, o Conservador, 67 parlamentares são mulheres, em um total de 317 cadeiras.

Constance Markievicz foi a primeira mulher a ser eleita para o Parlamento, em 1918, após uma resolução permitir que as mulheres ocupassem vagas na Câmara dos Comuns. No entanto, ela não assumiu o cargo, pois era do partido nacionalista irlandês Sinn Féin, que se negava a jurar fidelidade ao rei.

A primeira mulher a assumir uma cadeira no Parlamento do Reino Unido foi a conservadora Nancy Astor, em 1919, após ser eleita em uma “by election”.

Revés
Após se encontrar com a rainha Elizabeth II, May afirmou que vai formar um novo governo apesar do revés do Partido Conservador nas eleições legislativas. Em pronunciamento em frente a sua residência oficial, em Downing Street, ela anunciou ter conseguido o apoio do Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte para formar um governo de coalizão.

A votação, realizada na quinta-feira (8), que foi convocada por May, terminou com os conservadores à frente, porém com uma bancada menor. Os conservadores, liderados pela primeira-ministra britânica, tinham 330 assentos no Parlamento e conseguiram até agora 318. O Partido Unionista conseguiu 10 cadeiras e os trabalhistas, por sua vez, surpreenderam obtendo 261 assentos. Por volta de 10h (no Brasil) desta sexta, restava a definir apenas uma vaga.

Esse resultado obrigou os conservadores a formar uma coalizão para garantir a governabilidade. Com o novo aliado, May consegue o apoio 328 parlamentares, o que garantiria a sua governabilidade.

Após o fraco desempenho do Partido Conservador, May enfrentou pedidos para que renunciasse da parte do líder da oposição e sofreu a pressão de integrantes do seu partido, mas descartou a possibilidade de deixar o poder.

A premiê afirmou que pode confiar no parlamento e no apoio do Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte a quem chamou de “amigos”. “Nossos dois partidos têm cultivado uma forte relação durante muitos anos. Isso me dá a confiança para acreditar que conseguiremos trabalhar juntos nos interesses de todo o Reino Unido.”

Trump critica as ‘mentiras’ da imprensa no caso russo

TrumpO presidente americano Donald Trump, de volta de sua primeira viagem ao exterior e após novas revelações sobre o escândalo das ligações de sua equipe com a Rússia, criticou mais uma vez as “mentiras” dos meios de comunicação em dois tuítes neste domingo.

O presidente voltou no sábado à noite de uma viagem de nove dias pelo Oriente Médio e pela Europa, num momento em que a imprensa americana faz novas revelações sobre os contatos de seu genro Jared Kushner com a Rússia em dezembro passado.

De acordo com estas revelações, Jared Kushner quis estabelecer um canal secreto de comunicação com o Kremlin, a fim de contornar as linhas tradicionais de comunicação entre os dois países.

“Minha opinião é que muitos vazamentos são mentiras fabricadas pela mídia, ‘fake news'”, tuitou Trump na manhã deste domingo.

Toda vez que os meios de comunicação mencionam fontes anônimas, “é muito possível que não existam fontes, que são inventadas por jornalistas, ‘fake news'”, acrescentou.

As revelações sobre Jared Kushner, um dos conselheiros mais próximos de Trump na Casa Branca, são as mais recentes de uma longa série de vazamentos sobre os contatos entre pessoas próximas ao presidente dos Estados Unidos e a Rússia durante a campanha eleitoral e nas semanas após sua vitória no dia 8 de novembro.

Mais cedo no domingo, em outro tuíte, Trump elogiou o que ele descreveu como um “grande sucesso” a sua passagem pela Europa.

“Acabei de voltar da Europa. A viagem foi um grande sucesso para os Estados Unidos. Muito trabalho, mas grandes resultados”, escreveu.

Prefeita argentina é denunciada pelo próprio pai

veronica moralesVerónica Morales, prefeita da cidade de San Cosme, no norte da Argentina, foi denunciada por seu pai, vereador do município, por supostamente ficar com fundos públicos destinados a obras que não saíram do papel.

O insólito caso gerou uma multidão de comentários na imprensa e nas redes sociais depois que os meios de comunicação locais divulgaram a denúncia feita por Eduardo Morales, cuja ex-mulher e mãe da acusada também foi prefeita da mesma cidade – de cerca de 6.500 habitantes – e outra de suas filhas, vereadora.

“Sabia que meu pai é instável, bipolar. Mas que tenha feito uma coisa assim, ainda mais sabendo que eu tenho como provar que tudo isso é mentira, me surpreende”, declarou a prefeita à imprensa local.

Morales, que foi eleito vereador em 2015, mas ainda não assumiu, acusou sua filha de ser responsável pela falta de obras que foram cobradas com certificados presumivelmente adulterados e de ficar com o dinheiro destinado pelo Estado para sua realização.

“Fez isso em conivência com os vereadores atuais. Por isso não me deixam assumir, porque têm problemas. Se chego ao Conselho Deliberativo vão ter problemas a cada minuto. Porque sou uma pedra no sapato”, disse Morales à emissora de televisão “Todo Notícias”.

Morales citou como exemplo o fato de que chegaram 325.000 pesos (cerca de R$ 60 mil) para a compra de uma caminhonete para os bombeiros, “mas não existe corpo de bombeiros em San Cosme”.

“Acredito que o que está buscando é desprestigiar a gestão, mas não vai conseguir porque tenho as contas em dia. Estou muito tranquila”, garantiu a prefeita da cidade, situada na província de Corrientes, no norte da Argentina.

Segundo explicou o próprio, Eduardo Morales está separado de sua família por “uma manobra maligna” que, em sua opinião, fizeram contra ele.

“Ela (Verónica) e a mãe me deixaram na rua”, acrescentou Morales, que acusou sua filha e sua ex-mulher de desvinculá-lo da construtora familiar.

“A construtora é minha. Jamais teve nenhuma empresa. Nunca foi deixado de fora de nada porque nunca teve nada”, esclareceu Verónica Morales, que salientou que seu pai tinha “uma vida paralela” e estava “dando um calote” para construir a casa “de sua amante”.

Consultada pelo paradoxo de que tantos membros da família tenham ou tenham tido cargos no governo local, a atual prefeita especificou que não se trata de postos hereditários. “Todos nos expomos à vontade popular para chegar ao cargo”, argumentou.

Trump tenta apagar passado, mas a internet não esquece

TrumpSão Paulo – A equipe responsável pela comunicação online do presidente dos Estados Unidos Donald Trump apagou do seu site de campanha diversos textos recentemente. Entre eles, havia um em especial: o que mencionava que o presidente proibiria a entrada de muçulmanos no país.

O assunto veio à toa novamente após uma pergunta feita em uma coletiva na Casa Branca, de acordo com o site da revista americana Wired . Na última semana, a Justiça questionou o advogado do Departamento de Justiça, Jeffrey Wall, sobre o caso. Ele argumentou que a restrição de entrada de pessoas nos Estados Unidos não discrimina as pessoas por religião. O juiz, Robert King, respondeu dizendo que Trump não repudiou o que disse no passado sobre os muçulmanos e ressaltou que o conteúdo a esse respeito ainda estava em seu site.

Diante desse cenário, um conteúdo em particular relacionado a banir muçulmanos sumiu do site eleitoral de Trump. Porém, a internet não se esquece de praticamente nada. Basta fazer uma pesquisa no Wayback Machine , uma ferramenta da organização sem fins lucrativos  Internet Archive , que guarda dados publicados na internet, para encontrar o texto que fala sobre a restrição a muçulmanos.

Em casos como esse, o chamado Efeito Streisand costuma fazer com o que conteúdo censurado tenha efeito reverso e se torne de interesse do grande público.

Algo semelhante aconteceu em São Paulo. A equipe do prefeito da capital João Doria Jr. removeu conteúdos da gestão de Fernando Haddad do seu site.

Segundo o Estado de S. Paulo, ao menos três textos sobre a redução de velocidade das marginais Tietê e Pinheiros foram apagados do site da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Neste caso, porém, os textos não foram armazenados pelo Internet Archive e já não podem mais ser acessados.

Eles eram chamados “Menor velocidade nas marginais e em vias da Zona Les te de São Paulo tem como objetivo reduzir índice de acidentes e mortes no trânsito”, “Acidentes com vítimas caem 27% nas marginais após redução da velocidade máxima” e “CET implanta redução de velocidade máxima em trecho da Marginal Tietê”. A administração se pronunciou dizendo apenas que as informações objetivas sobre os eventos no trânsito da c idade de São Paulo continuam disponíveis no site. Felizmente, os conteúdos podem ser lidos.

Democratas acusam Trump de criminalizar estrangeiros e virar defensor de Wall Street

Trump“Trump está nos devolvendo às épocas mais obscuras da nossa história: criminalizando qualquer um que seja diferente, colocando-nos uns contra os outros e mandando uma mensagem equivocada ao resto do mundo, ajudando assim a fomentar o ressentimento e o ódio de grupos terroristas contra o nosso país”, Astrid Silva, ativista pro-imigração.

Trump prepara ‘operação de limpeza’ em seus serviços de inteligência

Donald TrumpDonald Trump ataca novamente. Em uma manobra quase sem precedentes, o presidente dos Estados Unidos decidiu, segundo The New York Times e a CNN, fazer uma revisão de seus serviços de inteligência. À frente dessa operação de limpeza quer colocar Stephen A. Feinberg, um multimilionário de sua confiança máxima, distante da órbita da segurança nacional. O golpe, que faz prever um recrudescimento do combate entre Trump e seus agentes secretos, reflete a fratura que, em menos de um mês de mandato, o republicano abriu nas mais altas instâncias do poder norte-americano. Uma desconfiança que levou os serviços de inteligência a ocultarem informação sensível para evitar seu vazamento.

Os espectros do passado voltam a se agitar em Washington. Escândalos como o Irã-Contras e Watergate começam a ser mencionados em voz alta. O incêndio chegou a ofuscar a queda do conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn. O que está em questão agora vai mais além de um só homem: a nação mais poderosa do planeta assiste a uma batalha aberta entre o comandante-chefe e aqueles que devem guiá-los nas trevas.

O problema, que surgiu na campanha eleitoral, não parou de crescer. Diariamente afloram novas revelações. E todos os golpes vão na mesma direção. Não é que Trump esteja diante de um escândalo. Para seus serviços de inteligência ele é o problema. A desconfiança chegou ao ponto de as agências, segundo publicou The Wall Street Journal, começarem a ocultar do presidente informações sensíveis. E não fazem isso por vingança pelos ataques que recebem de seu chefe supremo, mas por temor de que ele possa vazar dados de segurança nacional.

A origem dessa atitude, que inclui a retirada da vista presidencial de fontes e métodos, está vinculada à admiração demonstrada por Trump pelo presidente russo, Vladimir Putin. O magnata defendeu sempre sua amizade com o ex-oficial da KGB. Considera-a um bem valioso e chegou a realçá-la em suas disputas políticas. Foi assim quando em plena campanha pediu a Putin que continuasse hackeando os e-mails de sua rival, a democrata Hillary Clinton. Esse gesto, segundo agentes consultados pelo jornal norte-americano, foi um ponto crítico. Trump acabava de estender a mão a um país que estava interferindo no processo eleitoral com o claro objetivo de favorecê-lo. Depois se descobriria que outros membros de sua equipe estavam mantendo encontros regulares com agentes russos e que, já obtida a vitória, o futuro conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, manteve uma obscura conversa com o embaixador russo em Washington. Justo quando Barack Obama impunha sanções ao Kremlin por seu jogo sujo na campanha. Um cenário de terror para qualquer serviço de contrainteligência.

Mas a batalha não é travada somente do lado dos espiões. Trump mostrou de sobra sua belicosidade com uma área que considera desleal a seus propósitos. Longe de buscar a reconciliação, o presidente a tem acusado de entregar “como doces” informações secretas, e agora decidiu dar um passo a mais e esmagar diretamente a rebelião. Para isso pretende lançar mão de seu amigo multimilionário, para uma revisão profunda dos serviços de inteligência.

A chegada deste enviado presidencial, cujo cargo não está ainda determinado nem foi admitido oficialmente pela Casa Branca, é vista pelos afetados como a aterrissagem de um censor. Alguém que imporia os pontos de vista presidenciais e que buscaria reduzir as sonoras discrepâncias entre os relatórios das agências e a visão de mundo de Trump.

Além disso, a escolha vem carregada de suspeitas. Feinberg carece de experiência no universo da segurança nacional e sua maior proximidade com essas questões espinhosas procede do controle que a sua empresa, a Cerberus Capital, tem sobre dois fabricantes de armas e os suculentos contratos que firmou com o Departamento de Estado.

A ninguém escapa que o aval a Feinberg é bem diferente. Goza da estima do presidente e mantém estreitos vínculos com o estrategista-chefe da Casa Branca, Stephen K. Bannon, o municiador da ideologia de Trump. Sua entrada permitiria ao mandatário ter um homem de sua absoluta confiança em mundo que escapou de suas mãos e cujos dois principais chefes, o diretor da CIA e o da Inteligência Nacional, foram designados por influência do vice-presidente e das forças republicanas.

Mas a chegada dessa figura, embora facilite o fluxo de informações para a Casa Branca, dificilmente curará a ferida aberta. Desde que tomou posse, em 20 de janeiro, Trump vem se distinguido mais por romper do que por criar. E não aprece que este caso vá ser uma exceção. O problema é que agora o alvo de suas iras é seu próprio guardião.