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‘EXÉRCITO NÃO TEM FORÇA POLÍTICA PARA GOLPE’, AFIRMA SERRA EM LISBOA

O senador José Serra (PSDB-SP) disse nesta quinta-feira, 31, em Lisboa que uma intervenção militar no Brasil só não acontece atualmente porque o Exército não tem mais a força política do passado. Segundo a BBC Brasil, o tucano disse considerar a crise pela qual o País passa mais grave do que a que levou ao golpe de Estado em 1964.

“A situação à época do golpe de 1964 era menos complexa do que a atual (…) Se o Exército brasileiro ainda tivesse a força que tinha naquele momento, não tenha dúvida de que já teria tido uma militarização no país”, disse Serra, ao participar do 4º Seminário Luso-Brasileiro de Direito, na capital portuguesa, organizado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.

Segundo o senador, o Exército brasileiro há muitos anos não tem força política no País. “A principal diferença entre o cenário atual e o daquela época é que não temos mais um Exército que se apresente como uma força política nos últimos 30 anos. O setor militar esteve ausente e, se Deus quiser, vai continuar ausente da política brasileira”, afirmou.

Serra disse ainda que a troca de poder vai fazer bem à economia brasileira. “Vai haver um clima econômico a curto prazo mais favorável, pelas mudanças das expectativas. Mas esse novo governo vai ter de oferecer uma perspectiva também de médio e longo prazos.”

Senado convoca ministro de Minas e Energia

CAEAs comissões de Serviços de Infraestrutura (CI) e de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado vão convidar o ministro de Minas e Energia (MME), Fernando Filho, para uma audiência pública conjunta sobre a possibilidade de abertura do controle acionário da Eletrobras. A sugestão para que o debate seja feito conjuntamente entre as duas comissões foi apresentada, hoje, pelo senador Fernando Bezerra Coelho durante reunião deliberativa da CI. Logo na sequência, na CAE do Senado, o líder do PSB e vice-líder do governo na Casa adiantou que o Executivo deverá editar, na próxima semana, medida provisória que resultará na redução dos juros dos Fundos Constitucionais de Financiamento para um patamar de 6% ao ano.

Requerida pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e apoiada pelos colegas Fernando Bezerra, Jorge Viana (PT-AC) e Hélio José (PMDB-DF), a audiência pública com o ministro Fernando Filho terá data acertada entre a CI e a CAE do Senado. Hoje, na Comissão de Serviços de Infraestrutura, Bezerra Coelho reforçou que a intenção do MME ao propor a pulverização das ações da Eletrobras é recuperar a empresa para a geração de mais dividendos e arrecadação ao país, contribuindo para o ajuste fiscal e sem qualquer repercussão negativa aos consumidores.

“Não haverá reajuste de 16%, como foi aventado numa declaração já corrigida pela diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)”, afirmou o senador. “A proposta (do MME) não ensejará reajuste de tarifa ou apagão. Apagão, a gente vai enfrentar se não tiver investimento no setor elétrico”, completou o líder.

CARUARU – Ainda na Comissão de Serviços de Infraestrutura, Fernando Bezerra Coelho destacou a entrega de 2.404 residências em Caruaru (PE), dentro do Programa Minha Casa Minha Vida, nesta segunda-feira (28). O senador foi um dos convidados à solenidade conduzida pelo ministro Bruno Araújo, da qual também participaram os outros três ministros pernambucanos – Fernando Filho (Minas e Energia), Mendonça Filho (Educação) e Raul Jungmann (Defesa) – além de 50 prefeitos da região do Agreste do estado, ex-governadores de Pernambuco, deputados e outras lideranças políticas.

Conforme destacou Fernando Bezerra, milhares de pessoas compareceram à cerimônia, em Caruaru. “Foi uma bonita festa de trabalho”, definiu o líder, ao elogiar a atuação do ministro Bruno Araújo em benefício ao estado. “O ministério já liberou quase R$ 1 bilhão para obras de saneamento na região metropolitana de Recife como também recursos para a proteção de morros na capital e para ações de mobilidade urbana em Petrolina (cidade-natal do senador)”, detalhou.

FUNDOS CONSTITUCIONAIS – Durante sabatina de novos diretores do Banco Central (Bacen), na Comissão de Assuntos Econômicos, o senador Fernando Bezerra adiantou que o governo federal editará medida provisória (MP) para a redução dos juros dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Nordeste (FNE), Norte (FNO) e Centro-Oeste (FCO). “Conversei ontem com o presidente do Bacen, Ilan Goldfajn, e ele me comunicou que estão sendo concluídos os entendimentos – entre a equipe econômica do governo, o Banco do Brasil e os bancos regionais – para o encaminhamento ao Legislativo, provavelmente na próxima semana, de uma MP que vai regular a fixação de taxas para os Fundos Constitucionais”, registrou Bezerra Coelho.

De acordo com o senador, será aplicado sobre a taxa de juro real o rebate do “Coeficiente de Desequilíbrio Regional” (o “CDR”, que é a diferença da renda média percapita domiciliar do Brasil para a renda média percapita destas três regiões) mais um bônus de adimplência para a definição dos juros do FNE, FNO e FCO. “Isto, na prática, significará que deveremos ter uma taxa, para os Fundos Constitucionais, da ordem de 6% ao ano”, explicou Fernando Bezerra. “Portanto, esta é uma conquista porque faz valer o que a nossa Constituição Federal prevê: que os recursos destes Fundos têm, como objetivo central, equilibrar a nação, promover o desenvolvimento das regiões menos favorecidas do país”, acrescentou o parlamentar, ao reconhecer e elogiar a participação dos senadores Armando Monteiro (PTB-PE) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) “na defesa dos interesses regionais e da pequena empresa brasileira”.

O conterrâneo Armando Monteiro enalteceu o trabalho do líder do PSB, o que ele classificou de “obstinada cruzada do senador Fernando Bezerra Coelho” em defesa da redução dos Fundos Constitucionais de Financiamento. “Sempre teve atuação firme, que foi decisiva para essa conquista”, destacou Monteiro, apoiado por Jereissati. “Somos testemunhas de quantas vezes o senador Fernando Bezerra se avermelhou, aqui, diante dessa tratativa”, ressaltou o presidente da CAE, que, nesta terça-feira, aprovou Paulo Sérgio Neves e Maurício Costa de Moura para exercerem o cargo de diretores do Bacen.

Fonte: Blog do Magno Martins

Lula volta com Caravana ao Sertão de Pernambuco

Lula 2Após os atos pelo Recife e Região Metropolitana, nos dias 24, 25 e 26 de agosto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta a Pernambuco, na próxima quinta-feira. A Caravana Lula pelo Brasil aportará no Sertão do Estado, no município de Ouricuri. Vindo do Ceará, a caminho do Piauí, o cacique petista participa do ato “Pelo Semiárido, pelos direitos e por Lula”, a partir das 15h, na Praça Voluntários da Pátria.

O ato é coordenado pela direção estadual do PT e pelo prefeito de Granito, João Bosco. Para tanto, o presidente estadual da legenda, Bruno Ribeiro, está em contato com o partido na região para mobilizar a participação dos petistas na atividade, que contará com a participação de grupos de artistas e autoridades locais.

“Todo Sertão nordestino tem uma grande admiração por Lula, pelo que ele fez durante os anos de governo em prol das pessoas mais carentes”, disse o prefeito João Bosco. “Estamos passando por cinco anos de estiagem, de seca, mas o homem do campo está conseguindo sobreviver sem passar por necessidades graças aos programas sociais que vão ajudando o produtor a adquirir a sua condição de viver”, concluiu.

Segundo o gestor, programas como Garantia-Safra, programa de cisternas implementado por meio da Codevasf, poços artesianos, a Transposição do São Francisco e o Luz para Todos, além do aumento do piso salarial dos professores, melhoraram a qualidade de vida das pessoas do campo.

A viagem do ex-presidente Lula entre agosto e setembro é a primeira etapa de um projeto que deve alcançar todas as regiões do país nos meses seguintes.

A caravana conta com a participação da Fundação Perseu Abramo, que lançou recentemente o Programa Brasil em Movimento, com o objetivo de elaborar uma estratégia para o futuro do País.

No último sábado, Lula realizou ato da caravana em Brasília Teimosa, na Zona Sul do Recife. A atividade foi a última dos três dias de passagem pela capital pernambucana. No local, ele conversou com os moradores e visitou a Associação de Pescadores do bairro.

A farra dos assessores no Senado Federal

Fernando CollorSe os senadores gastassem os recursos do Senado produzindo já haveria razão para se questionar o custo-benefício para o erário. Só o senador Fernando Collor tem 84 assessores no gabinete.  O ex-presidente, líder do PTC, é o segundo na lista dos parlamentares com maior número de funcionários. João Alberto Souza do PMDB do Maranhão tem 85 pessoas no gabinete.

Na outra ponta, o senador Reguffe (sem partido) do Distrito Federal conta apenas com 10 assessores

Veja os demais:

SENADOR —— NÚMERO DE ASSESSORES
João Alberto Souza – PMDB – MA – 85
Fernando Collor – PTC – AL – 84
Hélio José – PMDB – DF – 84
Ivo Cassol – PP – RO – 71
Vicentinho Alves – PR – TO – 67
Valdir Raupp – PMDB – RO – 66
Benedito de Lira – PP – AL – 65
Elmano Férrer – PMDB – PI – 65
Vanessa Grazziotin – PCdoB – AM – 65
Zeze Perrella – PMDB – MG – 64
João Capiberibe – PSB – AP -63
Eduardo Lopes – PRB – RJ – 59
Cássio Cunha Lima – PSDB – PB – 57
Lídice da Mata – PSB – BA – 56
Romero Jucá – PMDB – RR – 56
Telmário Mota – PTB – RR – 55
Ciro Nogueira – PP – PI – 54
Eduardo Amorim – PSDB – SE – 54
Ronaldo Caiado – DEM – GO – 54
Magno Malta – PR – ES – 52
Renan Calheiros – PMDB – AL – 52
Roberto Rocha – PSB – MA – 51
José Agripino – DEM – RN – 50
Acir Gurgacz – PDT – RO – 49
Antonio Carlos Valadares – PSB – SE – 49
Paulo Rocha – PT – PA -48
Randolfe Rodrigues – REDE – AP – 48
Edison Lobão – PMDB- MA – 47
Kátia Abreu – PMDB – TO – 46
José Pimentel – PT – CE – 45
Wellington Fagundes – PR – MT – 45
Ataídes Oliveira – PSDB – TO – 44
Gladson Cameli – PP – AC – 43
Armando Monteiro – PTB – PE – 41
Fernando Bezerra Coelho – PSB – PE – 40
Gleisi Hoffmann – PT – PR – 40
Humberto Costa – PT – PE – 40
Omar Aziz – PSD – AM – 40
Wilder Morais – PP – GO – 40
Ângela Portela – PDT – RR – 39
Davi Alcolumbre – DEM – AP – 39
Paulo Paim – PT – RS – 39
Sérgio Petecão – PSD – AC – 39
Cidinho Santos – PR – MT – 38
Eunício Oliveira – PMDB – CE -37
Maria do Carmo Alves – DEM – SE – 37
Otto Alencar – PSD – BA – 37
Fátima Bezerra – PT – RN – 36
Pedro Chaves – PSC – MS – 36
Roberto Muniz – PP – BA – 36
Jorge Viana – PT – AC – 35
José Medeiros – PSD- MT – 35
Lindbergh Farias – PT – RJ – 35
Alvaro Dias – PODE – PR – 34
Eduardo Braga – PMDB – AM – 34
Romário – PODE – RJ – 34
Rose de Freitas – PMDB – ES – 34
Garibaldi Alves Filho – PMDB – RN – 33
Waldemir Moka -PMDB – MS – 33
Airton Sandoval – PMDB SP – 32
Flexa Ribeiro – PSDB – PA – 32
José Maranhão – PMDB – PB – 32
Regina Sousa PT- PI – 32
Cristovam Buarque – PPS – DF – 29
Lúcia Vânia – PSB – GO – 29
Roberto Requião – PMDB – PR – 29
Raimundo Lira – PMDB – PB – 28
Simone Tebet – PMDB – MS – 28
Aécio Neves – PSDB – MG – 27
Jader Barbalho – PMDB – PA – 27
Ana Amélia – PP – RS – 26
José Serra – PSDB – SP – 26
Ricardo Ferraço – PSDB – ES – 26
Dalirio Beber – PSDB- SC – 24
Antonio Anastasia – PSDB – MG – 23
Paulo Bauer – PSDB – SC – 22
Dário Berger – PMDB – SC – 21
Tasso Jereissati – PSDB – CE – 21
Lasier Martins – PSD – RS – 19
Reguffe – S/Partido- DF – 10

‘Opinião pública não vai gostar, mas paciência’, diz Lobão sobre fundo para eleições

LobãoPresidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o senador Edison Lobão (PMDB-MA) disse nesta segunda-feira que “não gosta” da reforma política que está sendo votada pela Câmara, mas prevê que o Senado vai aprovar o que vier de lá. Ele defende a criação do fundo público para financiar as campanhas políticas, mas critica o fato de não se ter aprovado nenhuma mudança no custo para barateá-las.

Segundo Lobão, o chamado fundão, de R$3,5 bilhões, é apenas metade dos gastos oficiais das campanhas em 2014, “fora o caixa dois”.

— A opinião pública não vai gostar, mas paciência. Democracia tem custos. Ou se paga por ela ou se parte para a tirania, para a supressão das liberdades. Sem mudança nos custos das campanhas, só virão para cá os candidatos ricos, os astros de cinema e o crime organizado. A lei permite que os candidatos se auto financiem, gastando até 5% do seu patrimônio no último exercício fiscal — disse Lobão.

Fonte: NBO

“Não estão passando no teste democrático”, diz Haddad

HaddadEx-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT) participou, na manhã de hoje, de evento promovido pela Adufepe. Durante a palestra, o petista, que tem sido colocado como um plano B do partido para a Presidência, em 2018, caso o ex-presidente Lula não dispute o cargo, falou sobre democracia, crise e sistemas políticos. Confira trechos:

Democracia

“Não adianta a gente imaginar que somos uma sociedade democrática. Democracia é testada todo dia. Geralmente, quando está tudo bem a democracia não sofre estresse da crise econômica, da intolerância. Quando as coisas estão indo bem, ela parece que funciona. A democracia tem que funcionar quando o estresse está presente. A pergunta que faço é se nesse momento de crise as instituições estão funcionando. As instituições não estão passando no teste democrático”.

Distritão

“Quase não existe em lugar no mundo. Três ou quatro países do mundo. Imagina um Congresso de personalidades. Imagina que vai representar visões de indivíduos. Nenhum desses grupos vai ter a maioria. Qual o grau de desigualdade que estamos dispostos a suportar? Como vamos combater a ignorância? A partir do momento que você passa a eleger pessoas, celebridades, vai para o Congresso quem tem mais voto. Como vai forjar a visão partir da visão das celebridades? Quantos votos vão ser desperdiçados? Quantas opiniões vão ser desperdiçadas a partir daí? Distritão e parlamentarismo estão sendo tratados sem o menor cuidado”.

Bolsonaro x Tirica

“O político quer mais voto a todo custo sem se preocupar com as consequências do que ele está falando para as futuras gerações. A eleição acaba, mas o discurso fica. O discurso eleitoral fica, não acaba com a eleição. Depois voltam a falar de direitos humanos, pauta feminista, questão racial, você vai abrindo espaço para o obscurantismo. O Bolsonaro é resultado dessa linha obscurantista porque ele não é ninguém, o Bolsonaro. Mas é uma figura menor, medíocre mesmo. Foi aberto por outras forças que tinham poder suficiente de produzir essa agenda. O Tiririca tem lado, o Tiririca é um deputado sério, deputado mais propositivo”.

Parlamentarismo

“Considero inconstitucional uma mudança de regime de governo sem sequer um plebiscito, nesse caso específico. Porque a Constituição previa em caso de mudança de regime de governo. Eu não tenho nenhuma dúvida que se trata de um novo casuísmo. Porque estamos vivendo casuísmo atrás de casuísmo. O impeachment de Dilma foi casuísmo. Praticamente forjaram a tese de crime. Se isso fosse aplicado a prefeito e a governado não estava ninguém no cargo. Todo mundo tem uma contabilidade que poder ser questionada. Toda campanha eleitoral no Brasil tem que apresentar contas ao Tribunal Regional Eleitoral, toda prestação de contas de eleição é aprovada com ressalvas. É sempre assim. As contas do Tribunal de Contas são aprovadas assim. Transformaram uma ressalva num crime de responsabilidade. Foi isso que aconteceu. Uma ressalva virou crime e pretexto para afastamento. Já a mala de Rocha Loures, como ela não chegou ao destinatário, o crime não foi consumado”.

Plano B

“Na segunda-feira próxima, cem juízes dos melhores do País, professores universitários das melhores escolas de Direito, escreveram um parecer sobre a sentença condenatória do Lula. Todos criticando a sentença. Cem juízes, voluntários, foi uma coisa que se organizaram num grupo de WhatsApp, indignados com essa sentença, e se mobilizaram e num prazo de um mês fizeram um parecer. Por mais que a gente não goste do Lula, não importa. A gente não está falando de gosto pessoal. Ninguém aqui está falando que você tem que gostar ou não gostar. […] O que eu quero dizer é que você não consegue reunir cem juristas, gente que não recebeu nada e colocou sua própria reputação a serviço de uma causa, não consegue fazer isso voluntariamente se não tiver acontecido. Então, quando eu me recuso a discutir alternativa de Lula é por respeito a pessoa do Lula. Não é nem ao presidente. Para mim, se vai ser ou não vai ser é menos importante nesse momento do que a solidariedade que eu presto a uma pessoa. Eu não quero saber quem é. […] Me parece arbitrário”.

Por: Blog da Folha

Cisão histórica

Divisão socialÉ fato que o ex-presidente Lula e o PT têm recorrido a uma retórica descrita pelos tucanos e outros políticos como “nós contra eles”, adotando linha divisionista no debate público.

É um erro de Lula. Esse discurso funciona bem para os convertidos e ajuda a manter unido um segmento petista e de esquerda numa hora de enfraquecimento político com a Lava Jato e a perda do poder no governo Dilma.

Também contradiz a linha conciliatória que Lula adotou na campanha eleitoral vitoriosa de 2002 e que norteou o governo dele, quando houve inclusão social em doses inéditas na história do país. Lula fez uma gestão conciliadora.

No entanto, é um erro atribuir a cisão do país ao ex-presidente e ao PT. Por cálculo eleitoral, o partido e o ex-presidente têm adotado essa linha.

Infelizmente, a divisão do país não é novidade. Ela é histórica. Está na sua origem. É a divisão retratada pela desigualdade social, pelo expressão “andar de cima e andar de baixo”, pelo uso intensivo da escravidão no seu desenvolvimento, pelo racismo, pelo machismo, pela homofobia, pelo “quarto de empregada”, pela expressão “você sabe com quem está falando?” e por inúmeros outros exemplos.

A cisão social do Brasil não é uma invenção dos novos tempos, mas ela tem servido tanto ao PT como aos seus adversários, como mostra a intensa exploração desse caminho por diversos políticos, inclusive Doria.

Os vídeos do prefeito, que inundam as redes sociais, têm pouca conciliação e muita retórica de guerra. Políticos, empresários, jornalistas e cidadãos devem ter a responsabilidade de civilizar o debate público no país. Infelizmente, vemos raramente isso.

FonteBlog do Kennedy

Tucanato namora regime que lhe dê poder sem ter voto

tucanatoEstranho partido o PSDB, não consegue decidir se fica na base de apoio do governo (seja lá o que for o que isso quer dizer), mas um pedaço do seu cardinalato começou a fazer campanha pelo parlamentarismo ou pela sua versão diet, chamando-o de semipresidencialismo.

À frente da charanga está o senador José Serra, duas vezes derrotado em disputas presidenciais. Michel Temer teria aderido à ideia, mas, como o presidente já aderiu a muitas ideias, resta saber se irá na bola.

O parlamentarismo já foi submetido ao julgamento popular em dois plebiscitos e nunca chegou à marca de 25% dos votos. Nunca será demais repetir que em 1888 a escravidão foi abolida por meio de uma lei ordinária. O plebiscito de 1963 rejeitou um parlamentarismo mambembe, porém vigente. O de 1993 confirmou a opção presidencialista de 1963.

Por trás da proposta parlamentarista está o medo de que Lula (ou seu poste) vença a eleição do ano que vem. Em 1994, quando ele liderava com folga as pesquisas, uma revisão constitucional encurtou o mandato presidencial de cinco para quatro anos. Tremenda falta de sorte, pois quem tomou a tunga foi Fernando Henrique Cardoso.

Uma vez no Planalto, os tucanos poderiam ter batalhado pelo parlamentarismo, mas preferiam lutar pela reeleição. A convicção parlamentarista só aflora na plataforma do PSDB quando eles estão na oposição ou, o que é pior, quando uma de suas facções teme ficar fora do poder municipal, estadual e federal.

No plebiscito de 1993, os brasileiros escolheram entre o presidencialismo, o parlamentarismo e a monarquia. Parece piada, e é, mas se o negócio é trocar de regime para manter Lula (ou seu poste) longe do poder, a melhor opção seria repetir a consulta, com o PSDB defendendo a monarquia. Afinal, mesmo sendo uma “metamorfose ambulante” (nas suas palavras), Lula é capaz de tudo, mas nunca dirá que “seu” Aristides e dona Lindu pertenciam ao ramo de Caruaru da casa de Orléans e Bragança.

O surto parlamentarista de um pedaço do PSDB deriva da percepção de que a conta eleitoral de 2018 lhe custará caro. Na sua última encarnação, a proposta parlamentarista vem disfarçada de “semipresidencialismo”, abençoada pelo senador Renan Calheiros e pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Ele trata do assunto quando não está batendo boca com colegas ou com o procurador-geral, Rodrigo Janot. Um juiz do STF associando-se a propostas desse tipo contribui para a criação do semibanguncismo.

Vendida como um fator de estabilidade, a girafa semipresidencialista teria um aspecto desorganizador. Basta que se imagine um presidente eleito com 60 milhões de votos que, diante de um Congresso hostil, coloca na mesa a proposta de um novo plebiscito para confirmar ou revogar o regime parlamentar. Reedita-se assim o caos do governo de João Goulart em 1962, depois que Tancredo Neves deixou a cadeira de primeiro-ministro. Deu no que deu.

Nos últimos anos, o comissariado petista levou a culpa de ter patrocinado a proposta do voto de lista, um sistema pelo qual o eleitor perderia o direito de escolher nominalmente seu candidato a deputado. Houve um pouco de injustiça nisso, pois muitos tucanos defendiam o truque, mantendo-se atrás das cortinas.

 Fonte: Elio Gaspari – Folha de S.Paulo

Centrão avisa que não vai votar reforma da Previdência

MaranhãoDeputados do Centrão mandaram avisar ao presidente Michel Temer que não irão votar a reforma da Previdência Social, informa o repórter Nilson Klava, da GloboNews.

Líderes dos três principais partidos do centrão – PP, PR e PSD – afirmam que não há condições de aprovar a reforma, ainda mais depois do desgaste de terem votado contra o prosseguimento da denúncia contra Temer. Ainda mais em véspera de ano eleitoral.

“Reforma da Previdência se vota no início de mandato. Em final de mantado, é muito perigoso colocarmos uma matéria dessa, ainda mais no momento em que estamos vivendo na Câmara dos Deputados”, disse o líder do PR, José Rocha (BA).

O Centrão quer deixar claro ao governo a insatisfação com o espaço político dado a partidos que não votaram majoritariamente a favor de Temer: PSDB e PSB.

“O momento é muito delicado, não temos unidade na bancada para isso [votar a reforma]. Nós esperamos que o governo tenha um sentimento de reagrupação e senso de responsabilidade de saber quem realmente é base e quem não é”, acrescentou o líder do PP, Artur Lira (AL).

Líderes do Centrão alertam, ainda, para o fato de que há no meio político uma expectativa de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereça nova denúncia contra Temer por obstrução de Justiça.

“A reforma tem que ser votada dentro de uma uniformidade da base, e o governo não tem essa uniformidade. A discussão da Previdência abre a porta para sociedade ir para as ruas, é tudo o que o governo tem que evitar diante de uma segunda denúncia”, afirma o líder do PSD, Marcos Montes (MG).

O peso do Centrão

Juntas, as bancas de PP, PR e PSD somam 123 deputados. Na votação da denúncia, os três partidos deram 87 dos 263 votos a favor de Temer.

Para aprovar a reforma da Previdência, o governo precisa de 308 votos. Por isso o governo tem usado o discurso de aprovar o texto “possível”. O Planalto defende o parecer de Arthur Maia (PPS-BA), aprovado na comissão especial da Câmara.

“A base da conversa começa com o relatório”, observou o ministro da Secretaria-Geral, Moreira Franco (PMDB-RJ).

Fonte: Blog do Camarotti

Maia em prantos: não derrubou Temer por ter “caráter”

rodrigo-maiaUm dos artífices da vitória de Michel Temer desta quarta (2), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chorou diante de seus colegas de bancada ao fazer um balanço dos últimos meses, quando vislumbrou a possibilidade de se tornar o mandatário da República, mas escolheu recuar. Aos aliados, confessou ter se sentido pressionado, mas disse não se arrepender de nada. Deixou claro que, se quisesse, poderia ter derrubado o peemedebista. Não o fez, afirmou, por ter “caráter”.

Maia fez o desabafo em jantar com deputados do DEM, na noite desta terça, véspera da votação da denúncia. Pessoas próximas ao presidente da Câmara avaliam que ele “sai maior do que entrou na crise” e admitem que ele mira voos mais altos em 2018

Passada a votação da denúncia, o DEM se debruçará sobre os debates a respeito de sua refundação. Os parlamentares que estão à frente das discussões querem colocar na rua, na próxima semana, o mote do novo partido: “Desenvolvimento econômico para garantir o desenvolvimento social”.

O Democratas vai mesmo mudar de nome. Cogita a sigla MUDE: Movimento de Unidade Democrática.

Por: Painel – Folha de S.Paulo