“Sou culpado”. E se a moda pega?

treinadorOntem estava dando uma olhada nas notícias do futebol internacional e uma me chamou atenção. Não era sobre futebol, especificamente. A matéria era a respeito do presidente do Bayern de Munique, uma das equipes mais badaladas de 2013 e 2014, atual campeão da Liga dos Campeões e Campeonato Alemão. Pelo visto, ainda tem grandes chances de repetir a dobradinha neste ano de 2014. Pois bem, o presidente é o alemão Uni Hoeness. Ele é ex-jogador e atuou inclusive pela seleção alemã campeã do mundo em 1974, ao derrotar a Holanda na final.

Feita esta introdução, pra quem não leu nada a respeito sobre a notícia, Uni Hoeness foi condenado a três anos e meio de prisão por fraude fiscal. O julgamento já havia iniciado na segunda-feira e o presidente foi acusado de ter sonegado 27 milhões de euros (cerca de 89 milhões de reais) da receita alemã ao longo dos anos. A promotoria ainda havia pedido que o dirigente tivesse uma pena de cinco anos e meio, dois a mais do que o resultado da condenação. Ainda cabe recurso e a defesa de Hoeness ainda deve agir.

O mais engraçado dessa história toda foi que o próprio Hoeness optou por denunciar a si mesmo, no início de 2013, para regularizar sua situação. Ele mesmo admitiu ter sonegado 18.5 milhões de euros (embora a promotoria tenha apontado o valor de 27.2 milhões de euros), com o intuito de ter apenas que pagar uma grande multa e se livrar do pesadelo. Mas não foi o que aconteceu. Ele foi detido em Março de 2013 e, ao pagar fiança no valor de 5 milhões de euros, foi liberado e pôde aguardar o julgamento em liberdade.

O que estou discutindo aqui é que, com certeza, boa parte dos bens e dinheiro de Hoeness veio de sua profissão de dirigente esportivos. É óbvio que boa parte desse dinheiro foi usado para lavagem, sonegação e demais crimes fiscais. É aí que eu pergunto: e se a moda pega? E se todos que tivessem culpa no cartório se entregassem? Eu poderia estar falando até das pessoas “comuns”, do dia-a-dia, de mim, de você. Mas vou me ater ao cenário esportivo. Ou melhor, vou me ater ao cenário esportivo brasileiro. Mais específico ainda, ao futebol brasileiro. Imagina se todos os dirigentes que já tenham desviado dinheiro, lavado dinheiro ou sonegado imposto decidissem se entregar e cumprir a pena devida.

Ficaria algum livre pra contar história?

Até a próxima!

Por:  Osmar Sexto 
http://www.resenhaesportiva.com

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